Sábado, 4 de setembro de 2010
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Empresas familiares profissionalizam gestão para sobreviver no mercado

A família Barreto, de Belo Horizonte, passou a administrar os negócios de uma das mais tradicionais farmácias de Itabira, na região central do Estado, em meados da década de 1990. Naquela ocasião os irmãos conseguiram a distribuição de uma linha de empresa de confeitos e então surgiu a idéia de montar uma empresa de maior abrangência. Foram surgindo novas indústrias, novas contas e contatos e hoje a Pacaluz trabalha em logística com a linha de indústrias de higiene pessoal e doméstica, assim como lubrificantes, de A a Z, em toda a Minas Gerais. A farmácia foi vendida aos gestores da época, conta o empresário Carlos Alexanre Barreto, diretor comercial do setor de lubrificantes.

Formada pelos irmãos Luiz Fernando e Carlos Alexandre, a Pacaluz posteriormente trouxe para a sociedade a irmã Ana Paula Barreto e a cunhada de Alexandre, Ana Cristina de Andrade. Hoje são mais de 70 funcionários e um time de mais de 110 representantes comerciais autônomos em todo o estado. A profissionalização do negócio foi responsável por um incremento de 700% no faturamento de 2001 até o ano passado. A expectativa de crescimento para este ano é de 30% e a empresa já se prepara para expandir o espaço físico, dobrando sua capacidade de estoque e armazenamento.

"Estou certo de que uma empresa familiar que passe para outras gerações precisa ser bem estruturada desde o começo. Os sócios têm que estar cientes de que os filhos virão para o negócio, ou não. Mas eles precisam começar da base. Não por ter o pai dono da empresa e começar como gerente ou diretor. Nós acreditamos que é necessário passar por todas as áreas antes de assumir qualquer cargo de gerência e só se realmente tiver competência. Ser filho do dono não habilita a ocupar cargos de direção, não significa ser melhor profissional que os outros", afirma Alexandre.

O crescimento nesta década mudou muito a gestão. A descentralização de responsabilidades em setores, divididos entre os sócios, permitiu maior independência, "mas nas reuniões periódicas do conselho discutimos o coletivo".

Alexandre recomenda a quem quer abrir um negócio familiar que tenha clareza de se tratar de uma empresa como qualquer outra, com o diferencial que é gerida por pessoas da família. As discussões vão acontecer, mas é preciso consciência de que os embates na empresa são profissionais, não se deve levar para o lado pessoal.

É necessário visitar feiras, exposições, participar de encontros do setor e conhecer bem o mercado, procurar profissionais competentes e convencer que seu ponto de venda e seu comércio oferecem produtos de qualidade, onde há possibilidade para todos, do produtor ao distribuidor e também da indústria

Os prós e contras: Para o empresário Carlos Alexandre Barreto, da Pacaluz Comércio e Logísitca Ltda, "entre as vantagens em constituir uma empresa familiar, é que todos trabalham para o sucesso do negócio com extrema dedicação. A desvantagem é que o almoço em família vira reunião de negócios. É inevitável, sempre quando nos encontramos para nos divertir, acabamos falando do dia-a-dia da empresa. Mas é sempre bem definido o que é assunto da empresa e nunca levamos para o lado pessoal. Cada um tem sua família, sua particularidade, seus pontos positivos e negativos, tem seus bons e maus momentos de humor, mas isso é totalmente separado da empresa. Não é fácil, mas na Pacaluz conseguimos trabalhar isso".